banner treino
banner treino

Periodização e Planeamento

Periodização - "Estabelecimento de etapas de preparação"

A área da periodização do treino pode inspirar a criação de livros completos, mas vamo-nos resumir aos conceitos essenciais, deixando as questões científicas de lado. O que importa fazer é definir etapas de preparação, em que podemos mesmo impôr objectivos intermédios e avaliar a nossa evolução passo-a-passo.

Exemplo de Periodização do Treino

(Exemplo de Periodização do Treino)

Quando estamos a iniciar um plano de treino, devemos começar por uma Fase (Período) Preparatória, que demora cerca de 2 a 3 meses e que consiste na base de tudo o resto. Esta fase caracteriza-se pela realização de treino de baixa intensidade e de volume crescente (duração, distância...), como forma de preparar o nosso corpo para o esforço mais intenso que se seguirá. Na escalada, isto pode querer dizer realizar muitas vias ou vias de vários largos, mas de baixo grau de dificuldade; no treino de resistência pode significar a realização de treinos, longos e lentos.

Esta fase é fundamental na prevenção de lesões. O nosso aprelho locomotor (tendões, músculos, ligamentos, ossos) também sofre adaptações (fortalecimento) com o treino e necessita destes 2, 3 meses para se adaptar.

Dentro deste período, podemos considerar fases diferentes, falando-se normalmente em:

P. Preparatório Geral - fase em que se recupera a condição física perdida no P. Transitório anterior e
P. Preparatório Específico - fase em que se começa a direccionar mais a preparação para a nossa actividade principal e em que se aumenta a especificidade do Treino.

Após esta fase inicial, segue-se o Período "Competitivo", que não se resume à actividade que constitui o nosso objectivo. P. Competitivo é a fase em que se desenrolam as principais actividades planeadas.
Por exemplo, posso definir o Verão como período competitivo para a maioria dos escaladores em rocha do nosso país. Esta fase caracteriza-se pelo aumento da intensidade de treino (grau de dificuldade, velocidade, etc.), com uma ligeira diminuição do volume (para compensar!). Esta é a fase em que o treino será mais específico, aproximando-se o treino gradualmente das características específicas das actividades para as quais me estou a preparar.

Por último devemos considerar uma fase intermédia: o Período de Transição; que se justifica especialmente para os que levam o seu treino a sério e que dedicam muitas horas por dia à sua preparação. Esta fase destina-se a possibilitar a recuperação de algumas fragilidades (ou mesmo lesões) que surgem do processo normal de treino, prevenindo-se assim o aparecimento de muitas lesões de repetição ou sobrecarga (tendinites...). Durante este período, podemos continuar a treinar, mas devemos mudar a actividade principal, dando descanso a certos grupos musculares, tendões, etc.
Esta fase também é fundamental na manutenção da motivação, permitindo aos atletas desanuviar e/ou descomprimir da sua actividade competitiva. Normalmente, esta fase dura 20 a 30 dias no final da época de treino (ou menos, se se realizar numa fase intermédia da nossa preparação).

miniatura da folha de periodização

Descarregar Folha para Periodização do Treino

(Voltar ao Topo)

Planeamento do Treino

Planeamento do Treino

(Exemplo de Plano de Treino)

Definição dos Microciclos de Treino

Após ter delineado a evolução geral da carga de treino ao longo do ano (Fase de Periodização), começamos a concretizar o trabalho a desenvolver: Os microciclos são normalmente semanais e podemos utilizar a folha de periodização para planear a sua "importância". Pessoalmente, sem querer ser demasiado perfeccionista, habituei-me a definir 4 níveis de importância para os microciclos de treino (riscado a vermelho na parte de baixo da folha de periodização):

1 - Microciclo suave (ou de Regeneração): com carga ligeira, habitualmente utilizado na fase de recuperação após um microciclo "Forte" ou "de Choque";
2 - Microciclo Médio: que constitui a maioria dos mic. de treino. Pode ser utilizado como fase de manutenção ou para aumentar propositadamente o efeito da fadiga provocada por outros microciclos.
3 - Microciclo Forte: em que se realizam sessões de treino importantes, com objectivos evolutivos bem definidos. Também pode ser utilizado em somatório com outros mic. intensos.
4 - Microciclo de Choque: período de treino extremamente duro, em que o atleta sente dificuldade em completar as sessões de treino sem desistir... São os ciclos em que se provocam as maiores adaptações, mas também aqueles em que se correm mais riscos, ao nível da integridade física (lesões) e psicológica (motivação).

O plano do encadeamento dos vários microciclos depende de inúmeros factores, mas podemos fornecer algumas orientações práticas:

- Organizar os microciclos em "escadinha", construindo pequenos "degraus" com dois ou três microciclos de importância crescente, seguidos de um microciclo de Regeneração.
- Começar por "degraus" de 2 microciclos e só aumentar para 3 ou 4 à medida da evolução das vossas capacidades;
- Não esquecer os microciclos de Regeneração, pelo seu papel na prevenção de lesões, na manutenção da motivação e na própria elevação da capacidade de treino (se não permitirmos que o organismo recupere, a agressão do treino só vai aumentar a fadiga, até conduzir ao estado de sobre-treino ou hiper-treino).

O planeamento consiste na calendarização das sessões de treino, dias de repouso, e caracterização de cada sessão de treino. Tal como a periodização, esta é uma área muito vasta mas que pode ser resumida às suas principais condicionantes, em dois níveis:

1.Condições Inerentes ao processo de treino
-Períodos de recuperação (e fases de super-compensação): cada sessão de treino provoca um determinado impacto sobre o nosso organismo (carga interna) que varia com o tipo de carga aplicada e com o nosso estado físico. O treino de resistência provoca uma fadiga mais prolongada, com uma fase de super-compensação mais tardia (24 a 72h), enquanto o treino de força explosiva permite uma recuperação muito mais rápida (algumas horas).

-Interacção entre sessões de treino: ao calendarizar as sessões de treino, podemos aproveitar um período de recuperação incompleto para provocar um efeito aumentado da sessão de treino seguinte (requer alguns conhecimentos...perguntem!). No entanto, na maioria dos casos, o nosso objectivo vai ser calendarizar o treino de forma a evitar esta interacção, permitindo uma boa recuperação entre sessões de treino. Podemos, por exemplo, intercalar treinos de resistência e de força, permitindo que uns grupos musculares recuperam enquanto outros trabalham. No caso de realizarmos mais de um treino por dia, devemos deixar os treinos de maior volume (resistência) para depois dos treinos de maior intensidade. Isto deve-se ao facto de os treino de resistência necessitarem de maiores períodos de recuperação e, se forem realizados antes de um treino de intensidade, vão prejudicar (ou mesmo inviabilizar!) esse treino.

-Distribuição do tempo de treino pelos diversos meios e métodos: devemos tentar perceber quais os métodos mais importantes, concedendo-lhes uma maior percentagem do tempo total de treino, de acordo com a sua importância para alcançarmos os nossos objectivos.
-Motivação: este é um factor muitas vezes esquecido, mas que é extremamente importante porque condiciona totalmente o sucesso ou insucesso do nosso plano de treino. Se pensarmos neste assunto, de certeza que conseguiremos introduzir algumas modificações que, sem prejudicar os resultados, nos irão proporcionar um treino mais agradável.

-Outros factores: lesões, competições, etc.

2. Factores externos ao processo de treino
-Referimo-nos essencialmente aos factores de natureza social, como os nossos horários de trabalho, solicitações da família, amigos, etc. Apesar de parecer que são apenas contratempos, devemos considerá-los seriamente ao planear o treino, evitando (na medida do possível) os conflitos. Se temos um dia preenchido com 12 horas de trabalho e ainda vamos jantar com a família, talvez seja melhor não planear nenhuma sessão de treino para esse dia... (não iríamos treinar - de qualquer forma - e isso só iria contribuir para a nossa ansiedade!)

miniatura da folha de planeamento

Descarregar Folha para Planeamento do Treino

(Voltar ao Topo)

© 2005 - Associação de Desportos de Aventura Desnível
Actualizado em 5-12-2005